Agenda


Decrescimento e Rio + 20 - Audiência Pública no Senado Federal


No dia 05 de setembro o Decrescimento será debatido em Audiência Pública no Senado Federal. Realizada pela Subcomissão Permanente de Acompanhamento da Rio+20 e do Regime Internacional Sobre Mudanças Climáticas, esta audiência orientará a preparação de um documento que irá subsidiar a Conferência Rio+20.
A Audiência é aberta ao público e também será transmitida ao vivo pela TV Senado para todo Brasil.
Palestrantes convidados:
  • Senador Cristovam Buarque;
  • Philippe Léna - Diretor de Pesquisa - Institut de Recherche pour le Développement (IRD – França);
  • Carlos Alberto Pereira Silva - Professor Adjunto da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia;
  • João Luís Homem de Carvalho - Professor do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares CEAM/UnB.
Dia: 5 de Setembro de 2011
Hora: 18 horas
Local: Plenário nº 7 - Ala Alexandre Costa - Senado Federal (Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional)  

O que é o Decrescimento?
O decrescimento é um slogan político que tem como objetivo romper com o produtivismo. Tem como meta, sobretudo, insistir no abandono do crescimento econômico pelo crescimento. Sob o decrescimento se agrupam aqueles que têm realizado uma crítica radical ao desenvolvimento e que querem desenhar os contornos de um projeto alternativo para uma política de pós-desenvolvimento. É uma proposição necessária para reabrir o espaço da invenção e da criatividade bloqueada pelo totalitarismo economicista, desenvolvimentista e progressista. Para os “adeptos” do decrescimento, o desenvolvimento econômico longe de ser o remédio para os problemas sociais e ecológicos é a origem deles e por isso, deve ser analisado e denunciado como tal.


Participe!!!!


Curso de Extensão Transdisciplinar: Introdução à Cultura do Decrescimento.

O Laboratório Transdisciplinar de Estudos da Complexidade realizará, entre os meses de Agosto a Novembro na UESB - campus de Vitória da Conquista, o Curso de Extensão Transdisciplinar: Introdução à Cultura do Decrescimento. Este curso, primeiro realizado no Brasil sobre esta atualíssima temática, reflete sobre a crise civilizatória possibilitada pela expansão planetária do desenvolvimento ocidental e apresenta ideias, princípios e experiências, vinculadas à cultura do Decrescimento, que são descolonizadoras do imaginário e contribuem para a construção de sociedades multidimensionalmente saudáveis. O curso, que tem como público alvo graduados e graduandos das diversas áreas, será ministrado pelo Prof. Dr. Carlos Alberto Pereira Silva, docente do Departamento de História e coordenador do Labtece.


Clique no link abaixo e veja a programação com as informações sobre o processo de inscrição.

http://www.uesb.br/LABTECE​/Introdução%20à%20Cultura%​20do%20Decrescimento.pdf

Divulgue entre os seus amigos e amigas.

21 horas


Porque uma  semana de trabalho menor pode ajudar todos nós a prosperar no século XXI

O Decrescimento-Brasil apresenta a tradução para o português do documento “21 hours: Why a shorter working week can help us all to flourish in the 21st century” originalmente elaborado pela new economic foudation – nef. Objetivamos com isto tornar disponível aos brasileiros parte do debate contemporâneo sobre a redução da jornada de trabalho que tem ido para além das questões trabalhistas históricas. Novos elementos têm sido incorporados nesse debate colocando-se o tempo consumido pelo trabalho numa relação direta e causal da insustentabilidade socioambiental das sociedades humanas. Deste modo, para a construção de uma sociedade em que a sustentabilidade seja um princípio, a relação entre ser humano e trabalho deve ser transformada sendo a redução da jornada de trabalho um aspecto fundamental a ser considerado. 

Esta publicação considera que uma semana de trabalho "normal" de 21 horas poderá ajudar a resolver uma série de problemas urgentes e relacionados entre sí como: excesso de trabalho, desemprego, consumo excessivo, altas emissões de carbono na atmosfera, baixo bem-estar, desigualdades sociais, falta de tempo para viver de forma sustentável, para as pessoas cuidarem uma das outras ou simplesmente para desfrutar a vida.

Sumário Executivo
Este relatório apresenta os argumentos para uma semana de trabalho muito menor, propondo uma mudança radical no que é considerado “normal” – baixar das 40 horas semanais, ou mais, para 21 horas semanais. Embora as pessoas possam optar por trabalhar mais ou menos horas, propomos que uma semana de trabalho de 21 horas - ou o seu equivalente ao longo do ano - deve se tornar o padrão geralmente esperado pelo governo, empregadores, sindicatos, trabalhadores e todos os demais.

A visão
Avançar rumo a uma jornada de trabalho remunerado muito menor oferece uma nova rota de saída para múltiplas crises enfrentadas atualmente. Muitos de nós consumimos além de nossas capacidades econômicas e bem além dos limites do ambiente natural- e ainda assim não conseguimos melhorar o nosso bem-estar-, enquanto tantos outros sofrem com a pobreza e a fome. A continuação do crescimento econômico nos países ricos1 tornará impossível alcançar as urgentes metas de redução de emissão de carbono. As desigualdades crescentes, a economia global em declínio, o esgotamento crítico dos recursos naturais e a aceleração das mudanças climáticas representam sérias ameaças ao futuro da civilização humana. Uma semana de trabalho “normal” de 21 horas poderia ajudar a solucionar uma série de problemas urgentes e interligados, tais como: excesso de trabalho, desemprego, consumismo, elevadas emissões de carbono, bem-estar reduzido, desigualdades, falta de tempo para viver de forma sustentável e para cuidar de si e dos outros ou simplesmente para aproveitar a vida.

21 horas como a nova “norma”
Vinte e uma horas é uma cifra que está próxima da média do que as pessoas em idade ativa na Grã Bretanha passam no trabalho remunerado e um pouco mais do que a média gasta no trabalho não-remunerado. Experimentos com horas de trabalho reduzidas sugerem que as mesmas podem ser populares onde as condições são estáveis e os salários favoráveis, e que um novo padrão de 21 horas semanais poderia ser consistente com a dinâmica de uma economia de baixo carbono.
Não há nada de natural ou inevitável no que é considerado “normal” hoje em dia. O tempo, assim como o trabalho, têm se tornado mercadorias – um recente legado do capitalismo industrial. No entanto, essa lógica da era industrial está fora de sintonia com as condições atuais onde as comunicações instantâneas e as tecnologias móveis trazem novos riscos e pressões, bem como oportunidades. O desafio é quebrar o poder desse velho relógio industrial, sem adicionar novas pressões, e liberar tempo para que se possa viver de forma sustentável. Para enfrentar esse desafio, devemos mudar a nossa forma de valorar o trabalho remunerado e o não-remunerado. Por exemplo, se o tempo médio dedicado ao trabalho doméstico não-remunerado e ao o cuidado com as crianças na Grã Bretanha em 2005 fossem valorados com base no salário mínimo, os mesmos valeriam o equivalente a 21% do Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido.

Planeta, pessoas e mercados: razões para mudar
Uma semana de trabalho mais curta alteraria o ritmo de nossas vidas, remodelaria os nossos hábitos e convenções e alteraria profundamente a cultura dominante da sociedade ocidental. Os argumentos para uma semana de 21 horas recaem em três categorias, como reflexo de três “economias” interdependentes ou fontes de riqueza, derivadas das fontes naturais do planeta, dos recursos humanos e dos relacionamentos inerentes ao cotidiano de todos e dos mercados. Nossos argumentos são baseados na premissa de que precisamos reconhecer e valorizar essas três economias e garantir que as mesmas trabalhem juntas para uma justiça social sustentável.

Proteger os recursos naturais do planeta. Avançar rumo a uma semana de trabalho mais curta ajudaria a quebrar o ciclo de viver para trabalhar, trabalhar para ganhar e ganhar para consumir. As pessoas poderiam tornar-se menos apegadas ao consumo intensivo em carbono e mais apegadas aos relacionamentos, aos hobbies e aos locais que absorvam menos dinheiro e mais tempo. Isso ajudaria a sociedade a sobreviver sem um crescimento baseado tão intensivamente no carbono, a liberar tempo para as pessoas viverem de forma mais sustentável e reduzirem a emissão de gases do efeito estufa.

Justiça social e bem-estar para todos. Uma semana de trabalho “normal” de 21 horas poderia ajudar a distribuir o trabalho remunerado de forma mais homogênea entre a população, reduzindo o mal estar associado ao desemprego, às longas jornadas de trabalho e à falta de controle sobre o tempo. Também tornaria possível que o trabalho remunerado e o não-remunerado fossem distribuídos de forma mais equilibrada entre homens e mulheres; que os pais e mães pudessem passar mais tempo com os seus filhos e que esse tempo fosse despendido de forma diferente; que a pessoas pudessem retardar a sua aposentadoria, se assim quisessem, e que se tivesse mais tempo para cuidar dos outros, para participar de atividades locais e para desenvolver outras atividades de sua escolha. De forma crucial, isso permitiria que uma “economia humana” (core economy) prosperasse graças a um melhor e maior uso dos recursos humanos não mercantilizados na definição e na materialização das necessidades individuais e coletivas. Seria uma forma de liberar tempo para as pessoas agirem como parceiras, em pé de igualdade, de profissionais e servidores públicos, na co-produção do bem-estar.

Uma economia próspera e robusta. Um número reduzido de horas de trabalho poderia ajudar a economia a adaptar-se às necessidades da sociedade e do meio ambiente, ao invés da sociedade e do meio ambiente se subjugarem às necessidades da economia. O mundo dos negócios se beneficiaria com a entrada de mais mulheres no mundo do trabalho; com o fato dos homens poderem levar vidas mais completas e equilibradas; e com a redução do estresse no ambiente de trabalho proveniente do malabarismo de conciliar trabalho remunerado com os afazeres do lar. Também poderia ajudar a pôr fim ao modelo de crescimento baseado no crédito, desenvolver uma economia mais elástica e adaptável, assim como salvaguardar recursos públicos para investimentos em uma estratégia industrial de baixo carbono e outras medidas de suporte para uma economia sustentável.

Problemas da transição
Obviamente, avançar da situação atual para esse cenário futuro não será uma tarefa simples. A mudança proposta para as 21 horas precisa ser vista em termos de uma ampla e gradual transição para a sustentabilidade social, econômica e ambiental. Entre os problemas que podem surgir no decorrer desta transição estão o risco do aumento da pobreza resultante da redução do poder aquisitivo daqueles com salários baixos; poucas novas vagas de emprego, já que as pessoas que já possuem emprego aceitariam fazer mais horas extras; uma resistência dos empregadores devido ao aumento dos custos e da falta de empregados qualificados; resistência dos trabalhadores e sindicatos devido ao impacto sobre os salários em todos os níveis de renda; e do surgimento de uma oposição política mais geral como, por exemplo, de movimentos para impor a redução de horas.

Condições necessárias para abordar os problemas da transição.
O nef (the new economics foundation) está iniciando o trabalho para desenvolver um novo modelo econômico que irá ajudar a projetar uma economia em “condição estável” (steady-state) e abordar os problemas da transição para 21 horas. Ainda há muito trabalho a ser feito e as sugestões contidas neste relatório são mais para estimular o debate e a reflexão do que para oferecer soluções definitivas. As sugestões centram- se em alcançar a redução de horas de trabalho, garantir uma renda justa para todos, melhorar as relações de gênero e a qualidade de vida da família e mudar normas e expectativas.

Alcançando a redução de horas de trabalho. As condições necessárias para a redução bem sucedida do número de horas de trabalho remunerado incluem: reduzir gradualmente o número de horas de trabalho ao longo dos anos em consonância com incrementos salariais anuais; alterar a forma como o trabalho é gerenciado de forma a desencorajar horas extras; capacitar profissionais para combater a falta de pessoal qualificado e para ajudar que os desempregados por muito tempo possam voltar a fazer parte do mercado de trabalho; gerenciar o custo dos empregadores de forma a recompensar ao invés de penalizar a contratação de pessoal extra; assegurar uma distribuição mais estável e igualitária da renda; introduzir normas para padronizar as horas de trabalho, mas que também sejam flexíveis para atender às necessidades dos trabalhadores tais como a partilha de trabalho e prolongamento das licenças maternidade e sabáticas; e oferecer uma maior e melhor proteção aos trabalhadores autônomos contra os efeitos da baixa remuneração, longas jornadas de trabalho e inseguridade.

Assegurar uma renda justa. Entre as opções para lidar com os impactos de uma semana de trabalho mais curta se incluem uma redistribuição de renda e riqueza através de uma taxação mais progressiva, aumento do salário mínimo, uma radical reestruturação dos benefícios do Estado, um mercado de carbono desenhado para redistribuir renda para as famílias pobres, serviços públicos mais amplos e melhores e incentivos às atividades e ao consumo não mercantilizáveis.

Melhorar as relações de gênero e a qualidade de vida da família. Medidas para assegurar que a mudança para 21 horas tenha um impacto positivo ao invés de negativo nas relações de gênero e na vida da família incluem: flexibilidade nas condições de trabalho que encorajem uma distribuição de trabalho não- remunerado de forma mais igualitária entre homens e mulheres; creches de alta qualidade e que atendam a todos nos seus horários de trabalho remunerado; mais divisão de trabalho e limites de horas extras; aposentadoria flexível; medidas mais firmes que imponham a igualdade salarial e de oportunidades; mais empregos para homens em creches e como professores em escolas do ensino fundamental; mais creches, tempo de lazer e serviços de cuidado de adultos usando modelos produzidos de forma conjunta no seu desenho e execução; e maiores oportunidades para ação local de modo que se possam construir bairros no qual todos se sintam seguros e felizes.

Mudança de normas e expectativas. Há muitos exemplos de normas sociais aparentemente intratáveis, mas que mudaram muito rapidamente – por exemplo, atitudes relacionadas ao tráfico de escravos, o voto feminino, a utilização do cinto de segurança e do capacete e a proibição de fumar em locais públicos. A opinião pública pode mudar rapidamente da aversão para a aprovação como resultado da exposição de novas evidências, fortes campanhas e mudanças de contextos, incluindo um senso de crise. Há alguns sinais de que condições favoráveis começam a emergir para uma mudança de expectativa sobre o que seria uma semana “normal” de trabalho. Outras mudanças que poderiam auxiliar incluem construir uma cultura mais igualitária, aumentar a consciência sobre o valor do trabalho não-remunerado, apoio do governo para atividades não mercantilizáveis e debates nacionais sobre como usamos, valorizamos e distribuímos nosso trabalho e nosso tempo.


Nós estamos no começo do debate nacional. O próximo passo é fazer um exame minucioso dos benefícios, desafios, barreiras e oportunidades associadas com a mudança para uma semana de 21 horas no primeiro trimestre do século vinte e um. Isto deveria ser parte da Grande Transição para um futuro sustentável.

Debate aberto sobre o Decrescimento na UnB - 18/05/2011 às 18hs‏

 

Venha participar do Debate Aberto sobre a proposta do "Decresicmento".





Acesse o material de apoio da discussão:

Data: 18/05/2011 (quarta-feira)
Local: CET/UnB
Hora: à partir das 18 horas

Contamos com sua presença

Elimar Pinheiro do Nascimento
Professor Associado
CDS/Unb
Diretor

Manifesto do Movimento para o Decrescimento Feliz

Maurizio Pallante, 09/09/2004
Tradução: Valéria Giannella
Revisão da Tradução: Alan Boccato

Um copo de iogurte produzido industrialmente e adquirido através dos canais convencionais de comercialização percorre de 1.900 a 2.400 Km para chegar a mesa dos consumidores, custa em média 10 euros por litro, necessita de recipientes de plástico e embalagens de papelão e, muitas vezes, sofre um tratamento de conservação que elimina as bactérias que formam o iogurte.

O iogurte auto-produzido pela fermentação do leite com colônias bacterianas adequadas não necessitam ser transportados, não exigem acondicionamento e embalagem, custa o mesmo preço do leite, não tem conservantes e é rica em bactérias benéficas à saúde humana.

O iogurte auto-produzido é muito superior em qualidade ao que é produzido industrialmente, custa muito menos, não envolve o consumo de combustíveis fósseis e, portanto, ajuda a reduzir as emissões de CO2, além de não produzir outros resíduos.

No entanto, esta escolha que melhora a qualidade de vida de quem auto-produz e não gera impactos ambientais, envolve uma diminuição do PIB (decrescimento), porque o iogurte auto-produzido não passa pela mediação do dinheiro, reduz a demanda por mercadorias, não requer combustível e ainda gera os custos de eliminação de resíduos dos processos produtivos.

Isso perturba os ministros das finanças, pois reduz a receita do imposto sobre valor agregado e dos impostos especiais de consumo sobre os combustíveis; os ministros do meio ambiente porque como resultado são reduzidas as dotações dos respectivos orçamentos, não podendo mais subsidiar fontes alternativas de energia na perspectiva do “desenvolvimento sustentável”; incomoda os prefeitos e governadores, porque eles não poderão distribuir aos seus eleitores os subsídios do governo para fontes alternativas; as empresas municipais e consórcios de gestão de resíduos, pois estes diminuem as receitas dos aterros e incineradores; os gestores de incineradores ligados às redes de aquecimento urbano, porque eles têm de substituir a falta de combustível derivado dos resíduos por óleo diesel (que devem comprar).

Mas não é só isso.

Os fermentos láticos contidos no iogurte auto-produzido vão melhorar a flora intestinal dos que o comem o que resultará em mais facilidade em evacuar. Pessoas sem prisão de ventre poderão começar o dia leves como libélulas. Portanto, melhora a qualidade de suas vidas e sua renda tem um benefício adicional, porque já não têm de comprar laxantes. Mas isso resulta em uma diminuição da demanda por bens e diminui o PIB. Mesmo laxantes produzidos industrialmente e adquiridos através dos canais de comercialização convencionais, para chegarem às casas dos consumidores viajam milhares de quilômetros. A diminuição da sua ingestão também deve implicar uma redução no consumo de combustível e uma redução ainda maior no PIB.

Isto perturba pela segunda vez os ministros das finanças e do ambiente, prefeitos, presidentes da região e da província, pelos motivos já mencionados.

Mas não é só isso.
A redução de resíduos sólidos produzidos e da procura de iogurte e purgantes produzidos industrialmente resulta em uma redução do movimento de caminhões que transportavam esses bens, causando assim uma maior fluidez do trânsito nas estradas e auto-estradas. Os demais veículos podem viajar mais rapidamente o que reduz o entupimento. Melhorando a qualidade de vida. Mas também reduz o consumo de combustível e, portanto, o PIB.

Isso perturba pela terceira vez que os ministros das finanças e do ambiente, prefeitos, presidentes da região e da província, pelos motivos já mencionados.

Mas não é só isso.

A diminuição dos caminhões rodando nas estradas e rodovias estatisticamente diminui o risco de acidentes. Esta melhoria da qualidade de vida causada pela substituição de iogurte produzido industrialmente com iogurte auto-produzido, acarreta ainda redução do PIB, diminuindo tanto os custos hospitalares, os farmacêuticos e dos necrotérios, como os custos de concertos de carros batidos e reduz a compra de veículos novos para substituir aqueles não mais utilizáveis.

Isso perturba pela quarta vez que os ministros das finanças e do ambiente, prefeitos, presidentes da região e da província, pelos motivos já mencionados.

O Movimento para o Decrescimento Feliz visa promover a maior substituição possível de bens industrializados e adquiridos em circuitos comerciais de grande escala, com bens oriundos de auto-produção de mercadorias ou produzidos localmente. Nessa escolha, que implica numa redução do PIB, identifica uma possibilidade de melhora dramática na vida individual e coletiva, nas condições ambientais e nas relações entre os povos, estados e culturas.

Sua perspectiva é oposta à do "desenvolvimento sustentável", que continua a considerar positivo o mecanismo de crescimento econômico como um fator de bem-estar e se limita a propor para corrigi-lo a introdução de tecnologias mais limpas esperando por uma extensão, com estas correções, aos povos que, não por acaso, são chamados de "subdesenvolvidos".

Na área crucial da energia, o "desenvolvimento sustentável", a partir da avaliação que os combustíveis fósseis não são mais capazes de apoiar um crescimento sustentável e uma extensão em nível global do desenvolvimento, propõe a substituição por fontes alternativas. O Movimento para o Decrescimento Feliz preconiza que esta substituição deve acontecer através de uma redução do consumo de energia, a ser perseguido tanto pela eliminação da ineficiência, desperdício e mau uso, tanto pela eliminação do consumo induzido pela organização econômica e produtiva (do capitalismo), que estimula a substituição de mercadorias auto-produzidas pela produção industrializada e a comercialização de mercadorias em circuitos de grande escala.

Esta perspectiva implica que nos países industrializados se redescubram e valorizem os estilos de vida do passado, irresponsavelmente abandonados em nome de uma concepção equivocada de progresso, mas que têm amplas perspectivas para o futuro, não só nas áreas tradicionais de necessidades básicas, mas também em algumas áreas tecnologicamente avançadas que são cruciais para o futuro da humanidade, como a energia, onde a maior eficiência e menor impacto ambiental são atingidos com os sistemas de geração de energia na rede para trocar o excedente.

Nos países que se tornaram carentes pelo roubo sistemático de seus recursos naturais que são necessários para o crescimento econômico dos países industrializados, o aumento real e duradouro na qualidade de vida não poderá ser obtido pela reprodução do modelo dos países industrializados, pela substituição gradual de mercadorias de produção própria por bens produzidos industrialmente e adquiridos comercialmente. A redistribuição mais eqüitativa dos recursos do mundo não pode ocorrer se o bem-estar destas pessoas for na forma de crescimento do PIB, mesmo que tenha sido atenuada pelas medidas corretivas do "desenvolvimento sustentável". Este último é, aliás, um luxo a disposição apenas daqueles que já tiveram acesso de forma ilimitada a um desenvolvimento sem adjetivos.

Para aderir ao movimento só precisa:

- Auto-produzir o iogurte ou qualquer outro produto primário: o molho de tomate, geléia, pão, suco de frutas, bolos, calor e eletricidade, objetos e ferramentas, manutenção corrente;

- Prestar serviços para as pessoas que geralmente são delegadas a pagar: acolhimento de crianças nos primeiros anos de idade, os idosos e os deficientes, os doentes e moribundos.

A auto-produção de mercadorias ou a prestação sistemática de um serviço é o primeiro exemplo do primeiro nível de adesão. Todos os níveis abaixo do primeiro grau são proporcionais ao número de bens de produção própria e os serviços prestados à pessoa. A auto-energia vale o dobro.

O segundo grau é da auto-produção da cadeia de fornecimento de bens, a partir do leite para o iogurte, a partir de trigo para pão, da fruta à marmelada, do tomate ao molho, o uso da madeira para o aquecimento. Os níveis de segundo grau são proporcionais ao número de bens de produção própria e da cadeia de fornecimento de energia que vale o dobro.

A sede do Movimento para a Decrescimento Felice fica estabelecido em ... (de preferência uma fazenda ou uma oficina, ou uma empresa auto-gerida, ou de economia solidária, ou uma cooperativa, uma loja de comércio justo, etc).

Traduzido do Original: Manifesto del Movimento per la Decrescita Felice

Picnic Global pelo Decrescimento

No domingo do dia 05 de junho convidamos você para o Picnic pelo Decrescimento.

Venha se reunir com amigos, com futuros amigos, parentes e viznhos para fazer uma deliciosa refeição e conhecer e difundir o Decrescimento.

A edição de 2010 foi organizada em 70 cidades em mais de 20 paises. Neste ano de 2011 o Brasil terá seu primeiro Picnic pelo Decrescimento
 
Como criar um Picnic na sua cidade?
Basta entrar na página Picnic 4 degrowth! e se não houver um picnic na sua cidade, crie um cicando no botão embaixo do mapa. Se já hover, entre em contato com o "animador" do picnic.

Depois disto é só divulgar, juntar os amigos, preparar a comida, a música, as brincadeiras etc. Os materiais para divulgação do decrescimento para serem distribuídos nos picnics estão sendo elaborados por um grupo de pessoas, com a participação do Decrescimento-Brasil. Caso queiram os materiais entre em contato em decrescimentobrasil@gmail.com.

Participe!!!

 http://picnic4degrowth.net/

Curso on-line Introducción al Decrecimiento


Dados do curso
• Duração: 4 semanas (25 horas), de19 de maio a 16 de junho de 2011.
• Preço da inscrição: 90 €. Para sócios/as de Ecologistas en Acción 70 €.
• Data limite de inscrição: 18 de maio de 2011.
• Vagas limitadas. Haverá um máximo de vagas e um mínimo para realização do curso.
• Formadores/as: Cooperativa de educación Versus e colaboram especialistas de Ecologistas en Acción.

Informações e inscrições: formacion@ecologistasenaccion.org 



ATENÇÃO: Para quem mora no Brasil, para pagar a taxa de inscrição acesse: 

Quando entrar, clique em 'Donar'  e no campo 'Finalidad', coloque "Curso de decrecimiento 2º edición".



Teléfono: 915 31 27 39
Marqués de Leganés 12 - 28004 Madrid

Decrescimento na Rio + 20

O decrescimento aparece como um dos temas a serem debatidos pela Subcomissão Permanente de Acompanhamento da Rio+20 e do Regime Internacional sobre Mudanças Climáticas do Senado Federal.

Segundo a Agência Senado, "os senadores destacaram que ainda é preciso avançar no acompanhamento do conjunto dos temas do evento. Sobre o ciclo de debates que será realizado pela subcomissão com assuntos relacionados aos da conferência, foram sugeridos novos temas."

Dentre esses novos temas está o decrescimento, junto com outros como, por exemplo, desenvolvimento sustentável, economia verde, padrões de produção e distribuição e padrões de consumo.

Ainda não foram definidos pelos senadores os dias dos debates sobre os temas.

Fonte: Agencia Senado

Belo Monte não é o Problema. É uma consequência!

Alan Boccato

Novamente movimentos sociais, ong´s ambientalistas, formadores de opinião, redes sociais, organizadores de petições on-line e outros setores da sociedade levantam-se para protestar contra o Complexo Hidroelétrico de Belo Monte que será implementado no rio Xingú. Repete-se assim o que já se tornou rotina no Brasil: se mobilizar ao redor de consequências e não atacar as causas que tornam necessários esses grandes empreendimentos altamente destruidores do ambiente e da sociedade.


É fundamental considerar que o Complexo de Belo Monte, assim como as demais hidroelétricas (recordemos do Complexo de Jirau no Rio Madeira e da Barragem de Estreito no Rio Tocantins) estão sendo construídas para aumentar o aporte energético brasileiro para abastecimento dos lares dos brasileiros, mas acima de tudo para viabilizar a expansão industrial brasileira, principalmente a industria siderúrgica, cimenteira e metalúrgica. Assim, teremos garantidos os Kws suficientes para que as industrias continuem produzindo mais, que os empregos continuem sendo gerados, que a renda e o consumo continuem aumentando para que o pais siga sua rota de crescimento econômico ilimitado rumo ao posto da mais nova potência econômica mundial.

Esta velha fórmula “produção + consumo = crescimento” como única estratégia do modelo capitalista para promover o “desenvolvimento” de um pais é a verdadeira causa de Belo Monte e dos demais mega-empreendimentos como o Complexo Carajás, os monocultivos com fertilizantes, agrotóxicos e transgênicos, a exploração do pré-sal, as usinas nucleares etc. Os impactos negativos como a perda da biodiversidade, a expropriação e degradação dos territórios dos povos indígenas, comunidades tradicionais e dos agricultores familiares, o envenenamento das águas e do ar, a perda de solos e tantos outros são apenas externalidades do modelo capitalista em que o crescimento econômico é a meta e o consumismo seu instrumento.

Entretanto, no Brasil são raríssimos os grupos sociais que fazem resistência e propõem alternativas a essa estrutura de economia e de sociedade que está nos levando a bancarrota. Ora, qual o sentido de protestar contra Belo Monte, que é apenas uma consequência, e não protestar contra o sistema econômico que tem o aumento ilimitado do consumo como condição vital? Por que as ong´s ambientalistas, movimentos sociais e setores organizados da sociedade que estão a protestar contra Belo Monte não emitem qualquer manifestação pública contra o modelo de desenvolvimento econômico capitalista de mercado que demanda cada vez mais energia para produzir suas mercadorias e portanto demandar cada vez mais usinas hidroelétricas?

Temos que quebrar com urgência a lógica que impera na maior parte dos movimentos sociais e ong´s brasileiras de olhar apenas para o seu objeto de luta que não passam de meras consequências. Temos de avançar para outra dimensão de debate, mobilização, proposição e ação de modo a enfrentar a real causa dos problemas que vivemos. Nossos movimentos sociais, ong´s, redes sociais e demais setores da sociedade devem com urgência convergir suas ações para iniciarmos uma grande transformação de sistema, sem o qual continuaremos eternamente protestando contra os sintomas sem resolvermos nossa doença: a necessidade de crescimento econômico ilimitado sustentado pelo consumismo.

Decrescimento-Brasil Assina Carta da Economia Solidária à Presidente Dilma

O conjunto de forças vivas do movimento da Economia Solidária no pais elaborou a Carta à Presidenta Eleita Dilma Rousseff, onde apresentam o pedido de criação do Ministério da Economia Solidária. A carta recebeu um grande apoio dos mais variados segmentos sociais, parlamentares e redes internacionais, incluindo a do Decrescimento-Brasil.

O Decrescimento-Brasil entende que o Movimento da Economia Solidária tem acumulado experiências e desenvolvido instrumentos extremamente importantes para a construção de um futuro socioambientalmente sustentável. Muitos dos prinípios que norteiam a Economia Solidária estão contemplados no paradigma do Decrescimento, como por exemplo, o desenvolvimento de redes e trocas locais, a democratização nos processos de gestão e de tomada de decisão nos empreendimentos produtivos, a sustentabilidade nos processos produtivos, o fortalecimento dos laços de solidariedade, inclusive nas relações comerciais, a priorização do valor de uso em detrimento do valor de troca dos produtos, dentre outros.

Devido a essas sinergias e por reconhecer a importancia da Economia Solidária no processo de um verdadeiro desenvolvimento da sociedade é que o Decrescimento-Brasil apoia a proposta de criação de um Ministério da Economia Solidária.

Leia a Carta à Presidenta Eleita Dilma Rousseff: Fortalecendo a Política Pública de Economia Solidária.

Decrescimento é Defendido no Senado Federal

Senador Cristovam Buarque defende o Decrescimento Feliz durante pronunciamento na tribuna do Senado Federal no dia 25/10/2010.

No trecho em que defende explicitamente o decrescimento ele diz: "(...)Tomemos um outro problema: o problema ambiental. Todo mundo sabe que temos uma crise ambiental, que estamos caminhando para o aquecimento global, para a depredação da natureza, que vai afetar a produção agrícola, o preço dos alimentos, até mesmo podendo gerar fome. Vamos controlar a produção para garantir o equilíbrio ecológico. Quem vai pagar o pato? O crescimento.
Por isso, quero dizer – e a gente não vê esse debate entre os candidatos – que o problema está no crescimento. É o crescimento que provoca, porque exige o endividamento, é o crescimento que provoca a crise ambiental. É o crescimento que, para ocorrer, exige gastos públicos desde a época de Keynes, 70, 80 anos atrás. Está no crescimento, mas ninguém ouve falar que o crescimento é um problema. A gente só ouve dizer que o crescimento é uma necessidade e que temos de ampliar, aumentar a taxa de crescimento. Ninguém diz que o crescimento é o problema, porque isso levaria a defender a posição que certamente é um desastre eleitoral: a ideia, que começa a tomar conta de diversos grupos intelectuais europeus, ainda não grupos políticos, da defesa de decrescimento feliz. É assim que eles chamam: decrescimento feliz. A ideia de que é possível, e até necessário, reduzir o crescimento da produção material para que as pessoas possam viver mais felizes, Senador Pedro Simon.

O problema do endividamento está no crescimento. O problema ambiental está no crescimento. O problema dos gastos públicos está no crescimento. Sem o crescimento, isso não ocorreria. Mas ninguém debate o crescimento. Ninguém discute que o crescimento precisa ser contestado pelo menos no nível do debate, o que é o mesmo que dizer “qual crescimento” e não “como crescer”. A pergunta é como crescer e não a que deveria: qual o crescimento.

E volto a dizer: não vi um candidato que seja tocar, nem de leve, em tema perigoso eleitoralmente mas necessário, do ponto de vista do futuro do Brasil: essa ideia que toma conta da Europa aos poucos, nos meios intelectuais, de decrescimento como objetivo, decrescimento ampliando o bem-estar, decrescimento da produção, aumentando a satisfação das pessoas, aumentando a felicidade (...)"

Nesse pronunciamento rmuito interessante e de vanguarda para um ambiente conservador como é o Senado Federal, o Senador Cristovam trata de outros temas como: o automóvel, a ausencia de debate de futuro pelos candidatos presidenciais, o endividamento do brasileiro para promover o crescimento econômico, dentre outros.

Vale a pena ler o pronunciamento na íntegra!!

Decrescimento-Brasil Traduzirá Texto Sobre Reduçao de Jornada de Trabaho

O Decrescimento-Brasil através de colaboradores voluntários irá traduzir para o portugues a publicação da new economic foundation-nef entitulada 21 Hours: Why a shorter working week can help us all to flourish in the 21st century. Esta publicação trata da redução da jornada de trabalho como condição essencial para que a humanidade possa avançar rumo um futuro mais sustentável e socialmente equilibrado.

Essa tradução será feita, pois o Decrescimento-Brasil entende que o Brasil carece de textos que relacionem a redução de jornada de trabalho e as questões socioambientais. Além disso, esse assunto é um "tema gerador" muito rico, pois ele tras à luz diversos assuntos essenciais para o debate a respeito do paradgma do Decrescimento, tais como redução de consumo, reconhecimento da importancia das atividades não remuneradas, participação social, dentre outros temas.

A itenção é que em fevereiro de 2011 esse documento esteja disponível para todo público.

Gordura e Crescimento

Durante séculos, acreditamos que as cidades ficavam melhores à medida que aumentavam. Faz pouco tempo, percebemos a necessidade de reduzir as cidades, para viver melhor fora das megalópoles. Já é possível ser mais feliz em cidades menores.

Também durante séculos, acreditamos que as mulheres e os homens gordos eram mais saudáveis e mais ricos, carregando no corpo as provas da riqueza, as lembranças do prazer de comer e o fim da angústia da fome. Hoje, pelo contrário, o símbolo da riqueza e da beleza é a esbeltez. Nas sociedades modernas, são os pobres que engordam; os ricos gastam fortunas para emagrecer.

Gordura e superpopulação deixaram de ser sinais de riqueza inteligente, tanto para cidades quanto para pessoas. Mas as pessoas ainda resistem em perceber que a gordura que as rodeia, na forma de bens, consumidos ou de patrimônio, não é mais sinal de riqueza inteligente

Porque essa riqueza já não cabe no mundo. As cidades vivem com suas aortas entupidas de automóveis, a atmosfera envenenada por dióxido de carbono. O organismo social padece das doenças que convenceram as pessoas a reduzirem suas cinturas. Também porque a segunda lei da termodinâmica deixa claro que nada pode crescer infinitamente em um mundo finito, com recursos naturais esgotáveis.

Depois de dois séculos de civilização industrial, principalmente na segunda metade do século XX, e muito mais com a globalização das últimas décadas, o PIB se transformou no símbolo do avanço civilizatório. Não importa se a compra vai endividar, comprometer o consumo de coisas mais essenciais à família, tirar as crianças de uma boa escola.

Não importa também se as horas perdidas no trânsito aumentam, ou se os engarrafamentos consomem tempo de vida ou provocam angústias e perdas. Como o consumo de combustível eleva o PIB, o engarrafamento passa a impressão de que a sociedade está mais rica, apesar da diminuição da felicidade geral.

Na medida em que percebemos o "desvalor" dos bens que engordam as cidades e as casas, tomamos consciência da possibilidade e da conveniência de aumentar o bem-estar graças ao decrescimento da produção de bens materiais e privados, com aumento na oferta de bens e serviços públicos e culturais. Diante da crise ecológica previsível e das insatisfações sociais já sentidas, surgiu, especialmente na Europa, um movimento pelo "decrescimento-feliz".

O conceito de decrescimento, atualmente debatido na Europa, substitui a ideia do crescimento ilimitado pela meta de uma sociedade melhor, que consume menos. É claro que esse decrescimento não se aplica linearmente em um mundo onde 20% consomem 85% dos recursos naturais. Em consequência, 80% da população vivem com menos do que o necessário.

Em 1980, a Editora Paz e Terra publicou um livro com o título "Desordem do progresso — O fim da era dos economistas", logo traduzido em Londres com o título "The End of Economics".

Há poucas semanas, o jornalista Clóvis Rossi publicou um artigo com o título "Felicidade Nacional Bruta", em que comenta o movimento mundial em busca de um novo indicador para o progresso. O IDH — Índice de Desenvolvimento Humano — já é levado a sério. O governo francês pediu e já recebeu uma proposta, elaborada por economistas, visando a um indicador que substitua o PIB.

É inevitável que a ideia de decrescimento-feliz ganhe adeptos. Que se espalhe e seja aceita tanto quanto a ideia de crescimento dominou o século XX. Antes disso, poderá ser recusada e ridicularizada, assim como a industrialização enfrentou fortes resistências do mercantilismo e da fisiocracia.

Mas prevaleceu, porque representava a força do progresso. O decrescimento-feliz vai prevalecer graças à fragilidade da atual concepção de progresso para enfrentar a força da natureza e as insatisfações existenciais. Não deve demorar muito para que o crescimento econômico passe a ser visto com o desconforto que hoje recai sobre a gordura do corpo e o tamanho das cidades.

Cristovam Buarque é Professor da Universidade de Brasília e Senador pelo PDT/DF

Artigo publicado originalmente no Blog do Noblat - O Globo

Decrescimento-Brasil participa da Consulta Pública do Plano para Produção e Consumo Sustentável

O Decrescimento-Brasil contribuiu na Consulta Pública do Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentável, Coordenado pela Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania do Ministério do Meio Ambiente.

Apesar de considerar o Plano tímido no que se refere à intensidade das mudanças propostas e na abrangência das prioridades apresentadas, o Decrescimento-Brasil apresentou contribuições “obedecendo” aos limites políticos-institucionais e às prioridades explicitadas no Plano. Isto por entender que no Brasil ainda não existem condições objetivas para implementação, no curto prazo, de ações de ruptura com o atual sistema de produção e consumo.

As contribuições do Decrescimento-Brasil corresponderam aos temas de “Construções Sustentáveis”, “Comitê Gestor”, “Diálogos Setoriais” e "Varejo Sustentável", contemplando basicamente:
  • Aplicação do Princípio da Precaução à nanotecnologia;
  • Apoiar e participar de programas nos temas de bioconstrução e permacultura;
  • Estimular o uso de bambu e madeiras nativas de reflorestamento na construção civil além do resgate e aperfeiçoamento de técnicas de construção com terra, como o adobe, a taipa de mão, a taipa de pilão, o cobe, o superadobe, dentre outros;
  • Estímulo ao uso sistemas de saneamento que reduzam ou eliminem o uso de água, tais como banheiros secos, e que reduzam a necessidade da implantação de redes de esgoto públicos com o tratamento da água dentro da propriedade;
  • Definição de critérios para coleta de água da chuva; sistemas de reaproveitamento das águas cinzas e banheiros com sistema de descarga diferenciada para fezes e para urina nas obras do Programa Minha Casa Minha Vida;
  • Incorporação no Comitê Gestor do Plano dos seguintes segmentos da sociedade: agricultura familiar, produção orgânica, mobilidade e planejamento urbano, permacultura, agroecologia, movimentos sociais urbanos, economia solidária, combate aos transgênicos, à nanotecnologia e aos agrotóxicos, consumismo, desenvolvimento local sustentável, educação dentre outros que tenham relação direta com a temática da produção e consumo sustentável;
  • Inclusão dos movimentos sociais nos Diálogos Setoriais;
  • Ações voltadas para: o fortalecimento e crescimento das feiras livres e de produtos agroecológicos e orgânicos; formação de cooperativas e de grupos de consumo sustentáveis e formação de associações e centrais de pequenos varejistas.
O Decrescimento-Brasil fez questão de frisar na mensagem encaminhada à Secretaria Executiva do Plano de que o entendimento sobre "Produção e Consumo Sustentável" não se reduz às propostas apresentadas nesta consulta pública. O entendimento do Decrescimento-Brasil é que para caminharmos rumo à efetiva sustentabilidade socioambiental, há necessidade de promovermos ações muito mais ousadas no que se refere aos processos de produção e consumo.

Acesse aqui para obter a integra das contribuições do Decrescimento-Brasil e da mensagem enviada à Secretaria executiva do Plano.
O Decrescimento na Rio+20

Em 2012, na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, será realizada a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, também chamada de Rio+20. Esse evento terá forte peso simbólico pois fará um balanço do que se avançou 20 anos após a realização da Eco 92.

Pelo seu simbolismo, os olhos do mundo estarão voltados a esse evento, sendo essa uma importante oportunidade para os objetores do crescimento denunciarem, mais uma vez, que a ideologia do crescimento econômico tem conduzido toda a humanidade rumo ao colapso através do seu consumismo insensato e com o fracasso verde do desenvolvimento sustentável.

Será uma oportunidade para dar mais visibilidade ao movimento pelo decrescimento que tem, a cada dia, se ampliado pelo mundo, contando com grupos organizados em dezenas de países. A conferência será um espaço para, além de denunciar, apresentarmos propostas para a construção de uma sociedade sob o novo paradigma do decrescimento, harmônica com a natureza, livre, democrática, sadia e justa.

Por entender que este evento poderá ser um espaço estratégico, o Decrescimento - Brasil vem compartilhar esse entendimento com os amigos e amigas que tem o decrescimento como referência de futuro e propor que comecemos a nos articular e nos preparar (se isso já não está ocorrendo) para ocupar os devidos espaços dentro da Rio+20.

O que vocês acham disso?

Saudações,
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Degrowth in Rio+20

In 2012, Rio de Janeiro (Brazil), will host the UN Conference on Sustainable Development, also called Rio +20. This event will have a strong symbolic weight because it will evaluate what has been achieved 20 years after Eco 92.

For its symbolism, the world's attention will be focused on this even, this being a major opportunity for the growth objectors to denounce, once again, that the ideology of economic growth has been driving the humanity into collapse trough its senseless consumerism and the green failure of sustainable development.

It will be an opportunity to give more visibility to the degrowth movement, which is expanding worldwide, with organized groups in dozens of countries. Besides making denounces, the conference will be an opportunity to make proposals for the construction of a society under the new paradigm of degrowth, in harmony with nature, free, democratic, healthy and fair.

Because we consider that this event can be strategic, Decrescimento – Brasil (Degrowth – Brazil) wants to share that understanding with the friends who have degrowth as a reference for the future and propose that we begin to articulate and prepare (if this is not already happening) to occupy the appropriate spaces within the Rio +20.

What do you think about this?

Warm regards,
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La decrescita nel Rio+20

Nel 2012, nella città del Rio de Janeiro, Brasile, sarà realizzata la conferenza delle Nazione Uniti per il Sviluppo Sostenibili, ugualmente chiamata Rio+20. Questo evento avrà un forte peso simbolico, una volta che farà um rilievo di tutti i avanzi raggiunti dal Eco 92 fino adesso.

Per la sua forza simbolica, questo evento avrà una reputazione a scala mondiale, lo que fa di questa una importante opportunità per gli "contro crescita" fare una denuncia, ancora unaltravolta, Allá conduzione verso al collasso che la ideologia della crescita econômica sta portando tutta l'umanità attraverso il consumismo insensato e Il fracasso verde del sviluppo sostenibili.

Sara una opportunità per rendere visibili al movimento per la decrescita che ad ogni giorni cresce nel mondo, attraverso gruppi organizzati in diversi paesi. La conferenza, a parte essere una opportunità para la denuncia, sarà un'opportunità per presentare proposte per la costruzione di una società sotto un nuovo paradigma di decrescita, in armonia con la natura, libera, democratica, sana e giusta.

Credendo questo una grande opportunità Il Decrescimento – Brasil (decrescita Brasile) vuoi condividere questo momento con tutti colleghi che hanno la decrescita come riferimento per il futuro e proporre un lavoro assieme nel Rio+20.

Cosa pensati su di questo?

Cordiali saluti,
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La décroissance à "Rio +20"

En 2012 , à Rio de Janeiro, Brésil, se tiendra la "Conférence des Nations Unies pour le développement durable", également baptisée: "Rio +20". Cet événement aura un poids symbolique fort , son objectif étant de faire le bilan de ce qui a été accompli au cours des 20 années qui ont suivi " Eco 1992 ".

En raison de son symbolisme , les yeux du monde seront rivés sur cette conférence qui constitue une opportunité majeure , pour tous ceux qui s' élèvent contre la croissance , de dénoncer , une fois de plus , cette idéologie économique , coupable d' avoir entraîné l' humanité entière dans une spirale cataclysmique par un modèle de consommation insensé , et , de surcroît , responsable de l' échec écologique du développement durable .

" Rio +20 " sera l' occasi on de donner plus de visibilité au mouvement de la décroissance qui se répand actuellement dans le monde avec , d' ores et déjà , la constitution de groupes dans des dizaines de pays . La conférence sera non seulement l' occasion de dénoncer la situation actuelle , mais aussi de présenter des propositions pour l' édification d' une société répondant au cadre du nouveau paradigme de la croissance zéro , et basée sur l' harmonie avec la nature , la liberté , la démocratie , la justice et la santé.

Considérant que cet événement peut constituer un moment stratégique déterminant , " La décroissance-Brésil " veut partager cette analyse avec tous ceux qui font de la décroissance leur référence pour l' avenir , et proposer que l' on commence à se mobiliser et à se préparer ( si ce n' est déjà fait ) à occuper les espaces appropriés de "Rio +20".

Qu' en pensez-vous.

Salutations,
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Decrecimiento en Río+20

En 2012, en Río de Janeiro Brasil, se llevará a cabo la Conferencia de las Naciones Unidas sobre el Desarrollo Sostenible, también llamada Río+20. Dicha Conferencia tendrá un fuerte peso simbólico, ya que en la misma, se hará un balance de lo que se ha logrado 20 años después de la realización del Eco 1992.

Por su simbolismo, los ojos del mundo estarán centrados en este evento, siendo esto una gran oportunidad para que los objetores del crecimiento, puedan plantear una vez más, que la ideología del crecimiento económico ha llevado a toda la humanidad hacia el colapso a través de su consumo insensato junto con el fracaso verde del desarrollo sostenible.

Será una buena ocasión para dar mayor visibilidad al movimiento por el decrecimiento, que dicho sea de paso, tiende cada día a expandirse por el mundo a través de grupos organizados en decenas de países. La conferencia será un espacio en el cual, además de denunciar, se podrán presentar propuestas para la construcción de una sociedad bajo el nuevo paradigma de decrecimiento, armonía con la naturaleza, libre, democrática, sana y justa.

Por entender que este evento puede ser un área estratégica, el Decrescimento - Brasil quiere compartir ese entendimiento con los amigos que tienen al decrecimiento como una referencia para el futuro y proponer que comencemos a articularnos y prepararnos (si esto ya no está ocurriendo) para ocupar los debidos espacios en el Río+20.

¿Qué piensan de esto?

Saludos